Teatro da Paz – Paraíso

O Theatro da Paz, que foi inaugurado no século XIX, mais especificamente no dia 15 do mês de fevereiro do ano de 1878, é um teatro que se situa na cidade de Belém, no estado do Pará, que fica na região norte do Brasil. O seu nome “da Paz” foi dado por um bispo, o Dom Marcelo Costa, que sugeriu esse nome pelo fato de a inauguração coincidir com o fim da guerra do Paraguai e pelo fato de “Nossa Senhora” – nome sugerido por outras pessoas – não ter muito a ver com o teatro, segundo o bispo, uma vez que nele ocorreriam apresentações e performances mundanas, nem sempre com temas eclesiásticos, o que acabou sendo muito coerente, da parte de Dom Marcelo Costa.

Esse teatro foi construído com dinheiro do próprio estado do Pará, uma vez que nessa época, haviam muitos rendimentos devido à exploração do látex, dentro do período que ficou conhecido na história brasileira como “Ciclo da Borracha”. Tamanha era a sua grandiosidade para a época em que foi construído que sustentou o status de maior teatro da região Norte do Brasil por um bom tempo, até o chamado Teatro Estadual Palácio das Artes, em Rondônia, ultrapassar o Theatro da Paz que, apesar disso, é um dos teatros mais luxuosos que existem em nosso país.

As suas inclinações artísticas de decoração e de estrutura física têm origem no que foi chamado de neoclassicismo, caracterizado por muito luxo e por muita ostentação, que acabaram sendo sustentadas pelo período áureo já citado anteriormente, que foi o período de intensa exploração de borracha na região amazônica. Esse teatro conta com cerca de mil e cem lugares para as pessoas sentadas, além de uma excelente estrutura de acústica, contendo lustres feitos de cristal, com afrescos de diversos artistas tanto nas paredes quanto nos tetos, além de alguns objetos de decoração feitos com folhas de ouro e apresentando um piso feito de madeiras nobres, com suas porções dispostas entre si em forma de mosaico.

O seu hall de entrada contém riquíssimos materiais, não só de origem brasileira, mas também diversos importados, principalmente do continente europeu. Por exemplo, os arcos das portas, são feitos de ferro inglês fundido, já o mármore que faz o revestimento das escadas é de origem italiana e os lustres de cristal, são franceses. As estátuas que são de bronze, têm origem na França, também e o piso apresenta algumas pedras que foram importadas de Portugal, além de serem coladas com o grude de um peixe encontrado na região Norte do Brasil, que é o chamado grude de Gurjuba. Além de tudo isso, os desenhos feitos nas paredes e alguns que estão nos tetos do teatro, representam a arte grega, principalmente.

Quem realizou o projeto para que o Teatro da Paz fosse construído foi um engenheiro nascido no estado do Pernambuco e que se chamava José Tibúrcio Pereira Magalhães e ficou pronto só em 1874, uma vez que até inquéritos foram abertos devido a ocorrência de algumas denúncias contra os construtores. O primeiro espetáculo foi o drama chamado As duas órfãs, de Adolphe d’Ennery, que estreou apenas no dia da inauguração do teatro, em 1878. Juntamente a esse evento, houve uma orquestra sinfônica do maestro chamado Francisco Libânio Collas, que era muito renomado na época. Todo esse espetáculo teve como organização uma companhia artística de Vicente Pontes de Oliveira, cujo contrato, inclusive, contava com toda a parte decorativa e até mesmo com a iluminação, acessórios e coreografia das apresentações que ali se passavam, o que durou cerca de cinco anos, aproximadamente.

Após tudo isso, o Teatro da Paz contou com diversas reformas, sendo uma das principais no ano de 1904, em que uma das colunas centrais foram retiradas, de maneira a preservar o sentido trazido pelo neoclassicismo à obra arquitetônica, uma vez que, sem essa coluna, o número total de colunas ficaria par, o que vai de acordo com o que o estilo neoclássico pede. Além disso, a sua decoração conta com homenagens a grandes artistas e escritores brasileiros, uma vez que há bustos feitos em mármore de grandes nomes de nossa literatura, como José de Alencar e de Gonçalves Dias, por exemplo, que estão situados no saguão do teatro. Já na parte chamada “salão nobre” há bustos dos grandes maestros Henrique Gurjão e de Carlos Gomes, situados ao lado de espelhos de cristal, que também contribuem para o luxo da decoração do teatro.

Grandes obras acabaram sendo encenadas nesse grandioso teatro, como O Guarani, por exemplo, além da presença de grandes bailarinas, como a russa Ana Pavlova. Grandes companhias líricas daquela época também passaram por esse teatro durante a época do Ciclo da Borracha, pois essa era uma região muito visada internacionalmente. No entanto, após o declínio desse período, principalmente após os exploradores utilizarem países africanos para extrair borracha, essa região acabou declinando como um todo e a situação do Teatro da Paz não poderia ficar diferente, passou, portanto, por grandes dificuldades, chegando, inclusive, a quase ser fechado totalmente, uma vez que era muito raro ele estar aberto. Isso porque, como não entrava dinheiro, haviam poucas restaurações feitas, o que impossibilitava a abertura para o público, uma vez que trazia riscos sem a realização das restaurações necessárias para que o teatro funcionasse normalmente e de maneira satisfatória.

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Categoria(s) do artigo:
Norte

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