Teatro da Paz – História

Quando nos referimos à história brasileira, muitas coisas passam batido, não sabemos da maioria dos monumentos e construções que representam nosso país em escala mundial. O país com tais dimensões esconde grandiosidades e histórias que deveriam ser melhores exploradas. Dentre esses monumentos representativos, temos o Theatro da Paz.

O Theatro da Paz foi o nome dado ao teatro construído na cidade de Belém, localizada no estado do Pará. Tal nome foi dado por um bispo da região, o qual se embasou no final da Guerra do Paraguai para denomina-lo de “Theatro da Paz”, visto que era um tempo turbulento que se chegava ao fim.

Construído com recursos provenientes da exportação de látex, no Ciclo da Borracha, mantinha o status de maior teatro da Região Norte, até ser superado pelo Teatro das Artes de Rondônia, todos eles são reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Ou seja, quando nos tratamos da região Norte do país, percebe-se que muito ainda nos falta de conhecimento e também da história.

Teve sua inauguração em 15 de fevereiro de 1878, o teatro possui uma vertente muito forte da tendência neoclássica e foi construído no período áureo da exploração da borracha na Amazônia. A linha neoclássica brasileira se inspirou nos diversos movimentos que estavam acontecendo na Europa, como por exemplo as mudanças sociais , avanço científico, além do crescente movimento democrático. Naquele período também estavam sendo investidos conhecimentos sobre a origem da Terra e de nossos primórdios, sendo os estudos arqueológicos algo muito presente nessa época. Por algum tempo tudo que era remetido ao passado se tornou de interesse da elite, acabando por influir em toda a sociedade que se encontrava em grande ascensão.

E então atrelado a esse contexto surge à pintura neoclássica, tendo como modelo ideal aquele remetido à antiguidade, assimilando parte da sua estética, sua motivação e didática à princípios de democracia e república. Apesar de ter buscado a perfeição, o pragmatismo e a leveza na representação, o neoclassicismo foi uma escola tida como utópica, e sua expressão caricata se manifesta em figuras que pouco se parecem com pessoas normais, sendo em geral nobreza e pessoas de alto calão. O que vemos então é que o Theatro da Paz se instaurou com o luxo e riqueza que eram representados dentro do neoclassismo, retomando o glamour de épocas clássicas e de obras tidas como faraônicas.

Como já relatado brevemente, o teatro teve seu nome sugerido pelo bispo D. Macedo Costa, o qual também deu início ao seu alicerce, lançando a pedra fundamental do edifício, em 3 de março de 1869. Para a inauguração oficial do teatro, foi encenada a produção do dramaturgo francês Adolphe d’Ennery, “As Duas Órfãs”, pela companhia Vicente Pontes de Oliveira que é tradicionalmente pernambucana.

Quem idealizou e colocou o projeto do teatro em prática foi o engenheiro pernambucano José Tibúrcio Pereira, porém no decorrer da obra houveram algumas alterações pedidas por órgãos públicos da época. Ficou pronto em 1874, mas devido a denúncias contra os construtores, um inquérito foi aberto e o teatro só foi inaugurado após a sua conclusão total (em 1878 que foi inaugurado). Ou seja, foram apenas aproximadamente 140 anos para que houvesse a sua conclusão. Acho que desde sempre o Brasil já possuía alguns problemas para cumprir prazo, não é mesmo?

De lá para cá, poucas reformas foram feitas. A maior foi realizada em 1904, quando houve alterações na fachada original do teatro.  Foi retirada uma coluna do pátio frontal superior do Teatro, que era em número de sete, o que feria os preceitos arquitetônicos do período neoclássico, que pede número par de colunas em frontarias. Instituído pela Sociedade Artística Internacional, que mantinha o Teatro em cunho financeiro, o Governador Augusto Montenegro, em mandato na época, mandou reconstruir a fachada, que antes era um pátio aberto, e agora se encontra com uma fachada recuada e uma coluna a menos (porque era extremamente necessário que fosse um número dar de colunas, né?), e no vácuo que ficou à mostra, antes preenchido por janelas decorativas, mandou botar algumas “imagens” simbolizando as artes, como por exemplo, a dança, a poesia, a música e a tragédia, e ao centro o brasão de armas do estado do Pará, para fortalecer a simbologia republicana que estava enfim instaurada. Por fim, as linhas arquitetônicas gerais do teatro foram mantidas, principalmente na parte interna.

A parte interna do teatro é algo realmente incrível. Em seu interior pode observar pinturas da época, também há estátuas em mármore, estruturas lapidadas em madeira maciça, além das acomodações e cortinas feitas com os melhores materiais da época. É lá que você vai encontrar as famosas poltronas de palhinha (não se usou almofada), e ainda temos o detalhe de ser em formato de ferradura Dentre as obras talhadas temos, em mármore, José de Alencar, Gonçalves Dias, Carlos Gomes e Henrique Gurjão.

As peças mais famosas da época foram todas apresentadas nesse teatro. Antigamente o que movimentou a economia era a borracha que era extraída e vendida e isso que proporcionou a essa região tempos de luxo e riqueza, e permitiu a construção do teatro e a realização de extravagantes peças. Quando houve problemas com o que movia a economia local, o Teatro da Paz passou por grandes problemas financeiros e não foi possível haver mais apresentações. Com isso suas instalações e restaurações necessárias foram sendo deixadas de lado.

Hoje em dia é possível visitar o Teatro da Paz, mas os horários são limitados para os dias de Terça a Sexta das 09h às 17h, sendo que das 13h às 14h não ocorre visitação, pois esse é horário de almoço, às Quartas-feiras a visitação é gratuita para os moradores paraenses. Aos Sábados 09h às 12h e aos Domingos a visitação pode ser realizada das 09h às 11h. Para entrar é necessário pagar uma taxa de visitação de R$ 6,00 com meia entrada para estudantes e não passa cartões no local, por isso é importante se atentar para levar o dinheiro em espécie.

Por fim, quando for a Belém não perca a oportunidade de conhecer um dos pontos turísticos da região e presenciar a arquitetura neoclássica em sua essência. Vale muito a pena conhecer a história do nosso país de perto, além de ser um passeio que cabe no nosso bolso. Vá lá conferir!!


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Categoria(s) do artigo:
Norte

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